Universidade Agostinho Neto

Ensino, Investigação, Produção

A Universidade Agostinho Neto (UAN) é herdeira dos Estudos Gerais Universitários (EGU) de Angola e Moçambique, criados pelo poder colonial português, através do Decreto-Lei nº 44.530, de 21 de Agosto de 1962, que viriam a ser inaugurados em Luanda, a 6 de Outubro de 1963 pelo então Presidente da Repúbica portuguesa , Contra-Almirante Américo Thomaz.

“O surgimento de uma universidade em Angola ocorre numa complicada conjuntura de pressões internas e externas. Ao nível interno, a burguesia colonial desejava que os seus filhos continuassem os estudos superiores sem terem de abandonar o território, por um lado. Por outro lado, a eclosão e a evolução da luta armada de libertação nacional, com base no “Manifesto do MPLA” de 1956 impunham uma tomada de medidas que ajudassem a manter o controlo político-administrativo da colónia e contribuissem para melhorar a situação nos domínios socioecnómico e cultural”. 1

Inicialmente, os EGU não tinham uma Reitoria fixada em Angola ou em Moçambique, pois dependiam da Universidade Portuguesa, e não conferiam quaisquer graus académicos, implicando o termo da formação na metrópole, ou seja, em Portugal. Os EGU asseguravam os cursos de Médico-Cirúrgico, Engenharia, Agronomia e Silvicltura, Medicina Veterinária e Ciências Pedagógicas.
O primeiro Reitor dos EGUA – Estudos gerais Universitários de Angola foi o Professor Catedrático André Francisco Navarro, engenheiro agrónomo e director do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa.

Em 1965, a Reitoria fixa-se em Luanda e os cursos de Medicina Veterinária, Agronomia e Silvicultura são transferidos para a então Nova Lisboa, hoje Cidade e Província do Huambo, e o de Ciências Pedagógicas para Sá da Bndeira, actual Lubango, província da Huíla.
O primeiro Reitor da Universidade de Luanda foi o Professor Doutor Ivo Ferreira Soares que tomara posse a 31 de Março de 1966, substituindo no cargo o Professor Doutor António de Mendonça, ainda no quadro da vigência dos EGUA.

A 23 de Dezembro de 1968, como corolário do seu desenvolvimento, os Estudos Gerais Universitários de Angola e Moçambique adquiriram o estatuto de universidades por força do Decreto-Lei nº 48.790, adoptando as designações de Universidade de Luanda e Universidade de Lourenço Marques (actual Maputo), respectivamente, conferindo os graus de licenciado, doutor e agregado.
Data dessa altura, para o caso de Angola, a criação das licenciaturas em Matemáticas Puras e Aplicadas, Físca, Química, Geologia e Biologia, que se juntam às de Medicina, Engenharia Civil, de Minas, Mecânica, Ectroténica e Químico-Industrial, ministrados em Luanda. Na Huíla onde funcionavam já os cursos de Ciências Pedagógicas e a Formação de Professores do 8º e 11º grupos do Ensino Técnico, passam a ministrar-se também as licenciaturas em História, Geografia e Filologia Romana.

A Universidade de Luanda estava assim distribuída por três cidades de Angola (Luanda, Huambo, ex-Nova Lisboa, e Lubango, ex-Sá da Bandeira, actual Lubango, Província da Huíla.

Com a reconquista da soberania nacional, a 11 de Novembro de 1975, a Universidade de Luanda ganha estatuto de universidade nacional e passa a designar-se Universidade de Angola, com a promulgação da portaria nº 77-A/76, de 28 de Setembro, do primeiro Governo de Angola Independente.

O Presidente da República e primeiro Reitor, Dr. António Agostinho Neto, definia assim a missão da Universidade de Angola:

“(…) estar ao serviço da revolução e constituir um dos factores de combate às sequelas do colonialismo e para a implantação de uma sociedade justa e progressista em Angola. A universidade deve gerar os quadros nacionais com uma nova mentalidade, capazes de funcionar como artífices de uma nova sociedade visando o triunfo da democracia popular. (discurso proferido no dia12 de Setembro de 1977, por ocasião da tomada de posse do vice-reitor).” 2

A 24 de Janeiro de 1985, por força da Resolução 1/85, do Conselho de Defesa e Segurança (DR 9-1ª Série, 28/1/1985) a Universidade de Angola passou a designar-se Universidade Agostinho Neto, abreviadamente UAN, em homenagem ao primeiro Presidente da República Popular de Angola e seu primeiro Reitor após a independência (1976 a 1979).

Desta forma, a Universidade Agostinho Neto (UAN) torna-se a primeira Instituição de Ensino Superior pública em Angola, vocacionada para a formação de quadros de excelência, a nivel de graduação, especialização e pós graduação.

Até 2009 era a única instituição de Ensino Superior em Angola, com Centros Universitários em 7 das 18 províncias de Angola. Depois do seu redimensionamento nesse ano, a UAN passou a pertencer à Região Académica I, que abrange as províncias do Bengo e de Luanda.

Até Novembro de 2011, a Reitoria funcionou no 2º andar do edífico do Hotel Presidente Meridien, na marginal de Luanda, em regime de arrendamento e as distintas Unidades Orgânicas funcionavam, de forma dispersa, no casco urbano de Luanda.

A 14 de Novembro de 2011, o Presidente da República de Angola, Engenheiro José Eduardo dos Santos, inaugurou a 1ª fase das obras do Campus Universitário, situado na zona de Camama, município de Belas. Desde essa data, a Reitoria e a maior parte dos cursos das Faculdades de Ciências e de Engenharia passaram a funcionar nesse espaço, ficando, grosso modo, inalterados os endereços das demais Unidades Ogânicas.

A UAN encontra-se estruturada em nove Unidades orgânicas, designadamente: 7 Faculdades, 1 Instituto Superior e 1 Escola Superior, que ministram 45 cursos de graduação, 13 de especialização, 31 de mestrado e 7 de Doutoramento.

As Unidades Orgânicas estão estruturadas em Departamentos de Ensino e Investigação(DEI), onde são ministrados os cursos que compõem a oferta formativa da UAN, ora referida.

A Universidade Agostinho Neto, à luz do seu Estatuto Orgânico, garante a liberdade de criação científica, cultural e tecnológica, numa perspectiva de respeito e promoção da pessoa humana, da comunidade e do meio ambiente. Para além disso, assegura a pluralidade de opiniões e sua livre expressão; promove a participação de todos os corpos universitários na vida académica comum e garante métodos de gestão democráticos, através do exercício da eleição directa de membros para os orgãos representativos – Senando Universitário e da Assembleia da Universidade.

Em Junho 2014, a UAN foi distinguida, em Roma, Itália, pela Associação “OMAC” Otherways Management Association Club-Paris, com o Prémio “New Era Award for Technology, Innovation & Quality”.

DOS ESTUDOS GERAIS UNIVERSITÁRIOS À UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO

CRONOLOGIA DOS FACTOS RELEVANTES

DateEvent
21 de Agosto, 1962Assinatura do Decreto-Lei nº 44530 do Governo Português que criou os Estudos Gerais Universitários (E.G.U.)
23 de Dezembro, 1968É criada a Universidade de Luanda
28 de Setembro, 1976A Universidade de Luanda passa a designar-se Universidade de Angola. O Presidente da República Popular de Angola (RPA), Dr. António Agostinho Neto, assume a direcção da Universidade, tendo como Vice-reitor Executivo o Dr. João Garcia Bires.
10 de Setembro, 1979Morre o primeiro Reitor da Universidade de Angola, Dr. António Agostinho Neto.
24 de Janeiro, 1985A Universidade de Angola passa a chamar-se Universidade Agostinho Neto (UAN), em homenagem ao seu Primeiro Reitor e Fundador da Nação Angolana.
19971ª.s Eleições para os cargos de Reitor e de Decanos das Unidades Orgânicas:

Reitora eleita: Professora Doutora Laurinda Hoygaard.

1999Interrupção administrativa do mandato da Reitora Laurinda Hoygaard.

A UAN passa a ser gerida por uma Comissão de Gestão, coordenada pelo Professor Doutor Mário Fresta, então Vice-Reitor para os Assuntos Científicos.

9 de Janeiro, 20022.ªs Eleições para Reitor e Decanos das Unidades Orgânicas.
Reitor eleito: Professor Doutor João Sebastião Teta.
17 de Novembro, 20053ªs Eleições para Reitor e Decanos das Unidades Orgânicas
Reitor reeleito: Professor Doutor João Sebastião Teta.
2009Redimensionamento da Universidade Agostinho Neto, através do Decreto 90/2009, dando lugar à criação de 7 novas Universidades de carácter regional, ficando a UAN confinada à Região Académica I, que compreende as Províncias de Bengo e Luanda.
14 de Novembro, 2011Inauguração, pelo Presidente da República, Eng.º José Eduardo dos Santos, da 1ª fase das instalações do Campus Universitário da UAN, no Camama, Município de Belas, Luanda Sul; quatro dias antes da inauguração, a Reitoria e os respectivos serviços auxiliares já haviam sido transferidos para o Campus Universitário.
Janeiro, 2012Realização dos Primeiros Exames de Acesso Unificados.

OS REITORES DA UAN - (1976-2016)

MandatoReitor
1976-1979António Agostinho Neto
1976-1979Garcia Bires (Deputy-Rector)
1980-1981Augusto Lopes Teixeira
1981-1986João Filipe Martins
1987-1990Raul Neto Fernandes
1991-1997José Guerra Marques
1997-1999Laurinda Hoygaard (elected)
1999-2002Mário Fresta, Coordinator of the Management Committee
2006-2010João Sebastião Teta (elected) 2002-2006) and re-elected
2010-2015Orlando Manuel José Fernandes da Mata
Augosto 2015-PresenteMaria do Rosário Bragança Alva Sambo

Os Nossos Valores

Ancorada na sua identidade institucional, a UAN assume como valor primacial o compromisso efectivo com a Qualidade, enquanto factor essencial do seu desenvolvimento estratégico e da sua sustentabilidade, em busca da excelência para o alcance da sua visão.

Os principais valores que corporizam a cultura institucional da UAN convocam a ética, a responsabilidade profissional, a liberdade, a diversidade, a democraticidade, a equidade, a honestidade e a integridade.

A responsabilidade social é um valor igualmente consolidado na cultura organizacional da UAN, procurando contribuir para um desenvolvimento responsável e sustentável da Sociedade através da investigação, do ensino, da formação para a cidadania e da intervenção activa na comunidade, disseminando conhecimento e propondo soluções criativas e inovadoras para problemas locais/regionais e globais, estruturantes e fraturantes das sociedades contemporâneas – organizacionais, económicos, sociais, políticos, culturais e ambientais.

Outros valores de importância capital precisam de ser ressaltados e devidamente caracterizados para a tomada de consciência de toda a Comunidade Académica, designadamente:

Rigor e transparência – Imprescindíveis para o exercício da melhoria da qualidade dos serviços prestados;

Trabalho em equipa – Para atingir resultados de melhor qualidade e encarar com menos dificuldades a competitividade; cada membro (discente, docente ou não docente, dirigente) se sente parte integrante, funcionando a UAN como um todo;

Cultura de mérito – Reconhecer que as conquistas de cada membro da UAN se devem ao esforço, abnegação e competência;

Equidade e coesão social – Contribuir, em todas as suas vertentes, para a construção de uma sociedade mais justa, sem nenhum tipo de exclusão.

Como instituição de serviço público, a UAN rege-se pelos princípios universais. Todavia, tratando-se de uma IES – Instituição de Ensino Superior – acrescem ainda os seguintes princípios: integração dos seus três pilares básicos (ensino, investigação e extensão), foco nas pessoas, eficiência, avaliação e proactividade.

Integração dos três pilares da universidade
Proporcionar ao estudante da UAN um ambiente de ensino-aprendizagem que o habilite a ser crítico, de modo a procurar novo conhecimento, a difundi-lo e a contribuir para a sua aplicação no seio das comunidades.

Foco nas pessoas
Incidir a atenção da UAN sobre os recursos humanos, procurando criar condições para melhorar as suas expectativas profissionais, fazendo-os agir de acordo com os objectivos da Universidade.

Eficiência
Optimizar todos os recursos existentes (humanos e não humanos) e programar os novos investimentos na perspectiva de uma evolução com economias de escala reais.

Avaliação
Exercitar, de forma regular, a capacidade de avaliação crítica ao nível da universidade, por si própria (autoavaliação) e por entidades externas (incluindo os diferentes stakeholders), visando a melhoria contínua e a renovação.

Proactividade
Cultivar a dinâmica institucional baseada na antecipação e não exclusivamente na reacção aos factores endógenos e exógenos à UAN.

A nossa visão é transformar a UAN numa instituição de referência internacional, reconhecida pela excelência do Ensino e da Investigação Científica, comprometida com o desenvolvimento humano, contribuindo para a coesão social, capaz de atrair e criar parcerias estratégicas que a coloquem até 2025 entre as 100 melhores universidades da África Austral.

A UAN tem por missão a formação integral dos seus estudantes, a produção, difusão e transferência do conhecimento científico, tecnológico e cultural, em favor das comunidades, de acordo com os mais altos padrões internacionais, tendo em vista contribuir para a aprendizagem ao longo da vida e proporcionar valor económico, social, político e cultural à Sociedade.

  • Fortalecer a UAN, focando na qualidade do ensino, na captação dos melhores estudantes e na adequação da oferta formativa às necessidades do País.
  • Fortalecer a investigação científica na UAN, incrementando a cultura de investigação centrada no foco de converter a UAN num centro de excelência em produção científica e inovação, reforçando o papel dos Departamentos de Ensino e Investigação (DEI) e dos Centros de Investigação.
  • Aumentar as acções de extensão nas comunidades, identificando os seus problemas e concretizando projectos.
  • Assegurar a melhoria contínua do desempenho da UAN, através da elevação dos níveis de qualidade dos seus processos de gestão, para alcançar resultados consistentes e alinhados com os seus objetivos estratégicos.
  • Melhorar a qualificação dos docentes e dos investigadores e promover a renovação dos quadros.
  • Melhorar a qualificação dos funcionários não docentes, privilegiando as oportunidades de diferenciação, promovendo a melhoria do nível de formação e de desempenho.
  • Promover, de modo transversal em todos os domínios de intervenção da Universidade, a captação de fundos, de modo competitivo, diversificando as fontes de receitas, primando pela cultura de rigor e transparência.
  • Estender a cooperação nacional e internacional aos domínios do ensino, investigação e extensão, de modo a desenvolver no estudante a capacidade de enfrentar ambientes de diversidade cultural, técnica e científica.
  • Contribuir para a melhoria do apoio social aos estudantes mais desfavorecidos economicamente, promover a criatividade artística e encorajar a prática desportiva.
  • Reduzir o impacto negativo da dispersão geográfica das infra-estruturas das Unidades Orgânicas, redimensionando o projecto do Campus Universitário, numa perspectiva de partilha racional e eficiente de recursos e criando mecanismos de articulação em rede entre a Reitoria e as Unidades Orgânicas.